
23 Nov 2009
A Essência da Humildade
Dentre as muitas coisas das quais temos conhecimento, e que não têm explicação científica, aquelas que mais me deixam pensativo são as ações de Jesus Cristo. A palavra está repleta de narrativas a respeito de Deus e que, sinceramente, por mais que lhas tentemos conceituar em nossa linguagem limitada, ficam sempre incompletas em nossa razão, inexplicáveis, e sequer a ciência lhas podem entender.
No capítulo 13 do evangelho de João podemos ver mais uma dessas lições do nosso Bom Mestre, na última ceia com os seus discípulos. É importante lembrar que o capítulo inicia relatando algumas situações, como uma reflexão que Jesus estava fazendo naquele instante. Primeiro Ele sabia “que já era chegada sua hora” e, pouco antes, falou: “Agora a minha alma está perturbada; e que direi eu? Pai, salva-me desta hora; mas para isto vim a esta hora”. Ele também pensou no amor que sentia pelos seus “que estavam no mundo, e
amou-os até o fim”.
Mas não só isso, Jesus também sabia que naquela mesa estava o traidor, sentado com os demais. E diante de toda a responsabilidade e autoridade que o Pai lhe concedeu, pois “tinha depositado em suas mãos todas as coisas, e que havia saído de Deus...”, Jesus interrompe o seu jantar, levanta-se da mesa, e como quem ignora todo o sofrimento que estava às portas, tira o seu manto, pega uma toalha e uma bacia com água e se abaixa para lavar os pés dos seus discípulos. Imaginar essa cena me deixa constrangido.
Depois de ter pensado todas essas coisas, da perturbação de sua alma, de saber que iria sofrer muito e logo em breve, mesmo sendo o Filho de Deus, sentou-se com pecadores, traidores, e pensou: “É a última oportunidade que eu tenho de lavar-lhes os pés”. Jesus apressa-se em fazer isso, enquanto todos ainda estavam à mesa. Na perspectiva humana é comum nos depararmos com lutas por poder, com arrogância, orgulho e outros sentimentos que permeiam nossa sociedade. A sensação de ser importante tem sido a busca frenética de muitos que correm para crescer, ganhar mais, e se destacar por meio de suas conquistas, do seu status. Sinceramente, refletindo um pouco, pergunto-me: o que nos faz empreender tanto esforço para alimentar nosso orgulho e buscar reconhecimento?
Vejo que Jesus não buscou isso. Pelo contrário, se despiu de sua glória e se entregou como Cordeiro mudo na mão daqueles que o crucificaram. Deixou os céus, onde estava sendo glorificado pelos anjos, e veio ser um homem sem posses, sofredor, e conviver com pecadores e marginalizados, e como se não bastasse, lavou-lhes os pés. Em seguida, o evangelho mostra o que Cristo, naquela ceia, deixou como uma de suas mais importantes lições para nós que somos igreja: “o servo não é maior que o seu senhor; eu vos dei exemplo... como eu vos fiz, façais vós também; que vos ameis uns aos outros, assim como vos amei; nisto conhecerão todos que são os meus discípulos...; se sabeis estas coisas, felizes sereis se as praticardes”. Pelo visto, é nisto que devemos empreender nossas forças.
Hoje sabemos, apesar de não conseguirmos explicar, que o Senhor nos deixou um exemplo da verdadeira humildade, de amor, e de obediência ao Pai. Ele é a essência da humildade.
Isaac Filho
O ser precisa sobressair-se ao saber
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